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O projeto estimula a participação de todo e qualquer jovem no curso, sem critérios de seleção preestabelecidos, a não ser a vontade do aluno de querer aprender. Acreditamos na heterogeneidade e buscamos manejar o grupo de forma que a inclusão possa ocorrer a partir da diversidade. Assim, procuramos promover neste curso um espaço de encontro das diferenças, aceitando, também, a inclusão daqueles jovens fora do perfil predeterminado pela SEMDET.

A experiência de mais de quinze anos trabalhando com jovens leva-nos a postular que os grupos heterogêneos estão mais próximos do que é a sociedade e que estimulam mais trocas entre seus participantes, além de ampliarem horizontes e repertórios vivenciais mútuos.  Os alunos são provenientes de diversos bairros da cidade, com escolaridade distinta, de ambos os sexos, em vulnerabilidade (social e/ou de saúde) ou não, com faixa etária a partir de 16 anos.

Acreditamos, também, que o próprio curso pode ser um motivador para devolver os jovens que não concluíram ao menos o ensino médio à rede regular de ensino. Os encontros diários no curso são uma oportunidade para trabalhar a “ressignificação” da escolaridade na vida deles.

 A partir dessa compreensão ampliada do perfil dos jovens participantes do Crer-Ser, vimos a oportunidade de, realmente, atuarmos com qualquer um deles, inclusive com os que são os maiores excluídos e que não têm oportunidade de pertencer a qualquer grupo social, a não ser àquele considerado marginal. 

 

É sabido que, inicialmente, o que motiva a maioria destes jovens em relação ao curso não é a aptidão para jardinagem, mas sim, a bolsa/auxílio que eles recebem. Quase todos vivem em condição de miserabilidade. Nota-se um número considerável de desistência ou não adesão ao curso (58%), sendo que 12,9% são justificadas pela falta de meios financeiros para custear o transporte, já que os alunos só começam a receber o auxílio após ter transcorrido mais de um mês do início das aulas.

 

Outro fator a ser avaliado é a adesão frágil daqueles jovens que não têm uma estrutura familiar mínima. Os que possuem um núcleo familiar, ou seja, que vivem com pais ou parentes como tios e avós, têm maior potencial para finalizar o projeto. Aqueles que vivem em abrigos, mas que não são infratores, apresentam um índice de evasão maior, porém muitos conseguem beneficiar-se do projeto e concluir o curso. Verifica-se que os jovens em liberdade assistida, obrigados por medidas judiciais a frequentar o curso, e aqueles em vulnerabilidade extrema (em situação de rua ou dependentes químicos) raramente conseguem concluí-lo.

O nível de responsabilidade e assiduidade dos jovens abrigados é mais restrito, requerendo um trabalho individual maior por parte da equipe técnica junto a eles e às instituições das quais fazem parte. Um trabalho mais integrado entre a equipe técnica do projeto e os responsáveis (familiares e instituições), poderia diminuir a evasão.

 A maior parte dos alunos conta histórias de sofrimento por preconceito, doenças, acessibilidade proibida ou algum tipo de violência; porém, orientá-los para o direito a uma vida digna é parte fundamental da missão do projeto.

 

É comum observar que a maior parte das desistências ocorre nos três primeiros meses e, a partir de então, o grupo amadurece bastante. É nesta fase que se nota a sensibilização de boa parte dos alunos para o tema da jardinagem e meio ambiente como real possibilidade profissional, geração de renda e emprego.  Os jovens passam a participar mais ativamente das aulas, tornando-se protagonistas ativos deste processo.

 

O curso proporciona ao grupo um sentimento de pertencimento e de filiação importantíssimo para que estes jovens que, na maioria das vezes, são desprovidos de uma vivência social baseada na ética e no respeito, possam sentir-se cidadãos de direito. Eles passam a se reconhecer mais profundamente, bem como um ao outro, melhorando a autoestima, valorizando sua história pessoal e respeitando a diversidade cultural e étnica existente no grupo. É comum observarmos uma mudança significativa no cuidado pessoal e na higiene geral.

 

Vale apontar que, no contato com os jovens do curso, nos deparamos com a deficiência do sistema educacional do nosso país. A fragilidade na formação regular desses jovens leva-nos ao grande desafio de tentar reverter o quadro de desigualdade de oportunidades. Buscamos oferecer uma formação sólida na área, dando sentido aos conteúdos abordados através de uma metodologia de educação participativa, que trabalha os conteúdos específicos da área de jardinagem, associados a conteúdos de formação humana pertinentes ao interesse dos jovens.  Desta forma, temos sido capazes de reverter a história de desigualdade, dando pequenos passos em direção a uma sociedade mais justa e igualitária. 

 

 

 

 

 

Cecco Ibirapuera

 

 

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